22.6.11

Saiba tudo o que aconteceu no julgamento de John Galliano


O julgamento do estilista John Galliano,acusado de agressão verbal e antissemitismo, aconteceu na tarde desta quarta-feira, 22 de junho, em Paris. O designer chegou ao tribunal Palais de Justice por volta das 13h45 (horário de Paris), vestindo preto e procurando evitar os fotógrafos e curiosos que já se encontravam no local.
Pouco antes do julgamento começar, o advogado de Geraldine Bloch, uma das vítimas dos insultos do estilista, afirmou que sua cliente não está interessada em uma possível indenização. “Queremos desculpas e arrependimento pelo que aconteceu”, afirmou. Já Philippe Virgitti, segunda vítima do caso, quer uma recompensa financeira por danos morais. “Infelizmente, o Sr. Galliano parece não ter escrúpulos, então meu cliente sente que a única maneira de puni-lo é atacando seu bolso”, disse o advogado.

Início do julgamento

Antes de John Galliano se pronunciar pela primeira vez no tribunal, a juíza leu as acusações contra o estilista, indiciado por insultos públicos baseados em religião, origem, raça ou etnia. As vítimas também prestaram queixas contra os donos do La Perle, bar onde aconteceram os insultos na noite do dia 24 de fevereiro. Eles afirmaram que os seguranças do local não interromperam Galliano, já que o designer era amigo dos donos. As afirmações foram negadas pelos proprietários do estabelecimento.
Questionado pela juíza, o ex-estilista da Dior afirmou não se lembrar dos insultos, já que é um viciado em recuperação e estava em estado debilitado naquele dia. O designer contou que começou a beber muito para relaxar e reduzir a pressão após os desfiles da maison francesa que comandava. Ele também mencionou a morte de seu pai e de seu ex-assistente, Steven Robinson, como cruciais para o agravamento do vício. “Não tive tempo para ficar de luto”, disse. “Voltei a trabalhar logo após o funeral do meu pai e tive que desenvolver coleções pouco tempo após a morte de Steven.”
O estilista apontou as pressões e exigências do mundo da moda, aliada à recessão econômica de 2008, como motivos relevantes para seu colapso. O estilista passou a tomar pílulas para dormir e sofria ataques de pânico e ansiedade, que tornavam sua recuperação ainda mais delicada. “Na época da crise econômica eu tinha dois filhos. Um era a Dior, o outro era Galliano [marca que leva o nome do estilista]. A Dior é uma grande empresa e eu não queria perder a Galliano. Nesse ponto, para manter minha segunda linha viva, me encontrei com diversos executivos e assinei muitos licenciamentos. Então o número de coleções aumentou. Eram peças masculinas, femininas, infantis, sapatos, bolsas, perfumes, joias e moda praia. O volume de trabalho aumentou muito rápido”.

Depoimento das vítimas

Depois do depoimento de Galliano, Geraldine Bloch foi a primeira vítima a depor. A francesa afirmou que o estilista insultou “desde suas botas até sua maquiagem”. “Ele tocou meu cabelo e disse que era uma porcaria. Depois das ofensas físicas, ele começou a falar coisas como “vadia” e “judia”. Eram claramente insultos gratuitos”, disse. “Ele usou a palavra judia umas 30 vezes, de forma repetitiva.”
A segunda testemunha ouvida pela Corte de Paris foi Philippe Virgitti. O companheiro de Geraldine Bloch também estava no bar La Perle e confirmou as acusações, afirmando que o estilista o chamou de “maldito asiático bastardo”.

Testemunhas

Após o depoimento de Philipe Vergitti, três testemunhas foram interrogadas. Duas delam garantiram que não ouviram de John Galliano insultos antissemitas, no entanto uma delas assumiu escutar declarações como “não toque em mim seu asiático” e “vadia”.
O estilista fez questão pedir desculpas por seu comportamento e esclareceu que os insultos não refletem suas verdadeiras convicções. “Esses não são meus sentimentos e nunca tive essa visão. Em toda a minha vida lutei contra o preconceito, intolerância e discriminação, também fui vítima deles”, explicou. John Galliano também ressaltou que não trabalha desde sua demissão da Dior.
Além das vítimas, associações contra o racismo e grupos civis também foram testemunhas no caso. Algumas delas se referiram ao estilista como “delinquente”. Os promotores também exigiram que o britânico seja multado em pelo menos 10 mil euros. Para finalizar o julgamento, o advogado do réu procurou destacar seu trabalho “universal” e reiterou que funcionários próximos ao estilista nunca ouviram comentários racistas no ambiente de trabalho.

Fim sem veredicto

A sentença não será anunciada nesta quarta-feira e deverá sair apenas no dia 8 de setembro. Se condenado, Galliano pode enfrentar até seis meses de prisão e pagar até 22.500 euros de multa.


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